Monthly Archives: novembro 2014

Direto do baú: uma sugestão para as competições do futebol brasileiro

Pela proposta, futebol brasileiro teria divisões regionalizadas nos níveis inferiores

Pela proposta, futebol brasileiro teria divisões regionalizadas nos níveis inferiores

Este texto é bastante recente. É de março deste ano no meu velho blog de generalidades que é atualizado praticamente de forma mensal. É uma sugestão de funcionamento para as competições nacionais. O original está aqui neste endereço e o fato de ter soltado alguns posts de esportes me ajudaram a convencer que era hora de abrir o Futebol Metrópole.

Sugestão diferente de formato para o Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil

 

Publicado em 30 de março de 2014 por Leonardo Bonassoli

Talvez com algum atraso, pois a discussão já avançou com direito ao Bom Senso FC apresentando uma proposta que joga os estaduais para o meio do ano e com menos datas, eu apresento uma sugestão de formato para o Campeonato Brasileiro e também para a Copa do Brasil.

Como já deram ideia com o Estadual mantido, eu darei uma sem estaduais e depois falarei como seria o percurso de um time de Curitiba recém-fundado até a elite, segundo este modelo.

Primeiro, o mais simples, a Copa do Brasil. No novo formato, qualquer time que disputasse uma divisão nacional de qualquer nível homologada poderia participar. Ela começaria em fevereiro e terminaria em novembro, com os times entrando conforme a divisão que estão. Por questões de calendário, ela teria um limite pré-definido de vagas, dando preferência a quem tem maior divisão na temporada, depois seguido de quem tem menos clubes na cidade disputando, porém pelo formato, este limite seria alto. A CBF bancaria os deslocamentos e hospedagem dos times e teria sorteio puro. Nas primeiras fases, jogariam os times de divisões menores em jogo único, com mando sorteado, inclusive. Pelos cálculos que fiz um pouco de cabeça, os times da Série A só entrariam ali pela fase 32 avos de final. Ida e volta? Só a partir das quartas de final, o que significa que um time de Série A só faria sete jogos na Copa do Brasil para ser campeão, o que é um alívio para quem joga Libertadores ou Sul-Americana.

Mais necessário de explanação é o sistema de Campeonato Brasileiro, que adotaria a pirâmide, que não tem nada a ver com o Esquema Ponzi. Só que a pirâmide incluiria os times amadores e as ligas disputadas por eles. Nas divisões mais baixas, os clubes não seriam obrigados a inscrever jogadores com contratos profissionais, mas se algum clube quiser, ele pode, assim como clubes com elencos mesclando profissionais e amadores. Se um clube amador conquistar o acesso para uma divisão que o obrigue a ser profissional, ele teria duas escolhas: vira profissional ou recusa o acesso, passando a opção da vaga para o time seguinte. Caso todos os times que não caíram para a divisão logo abaixo recusarem acesso, a preferência da vaga irá para o primeiro rebaixado e assim por diante, até as vagas serem preenchidas.

Da Série C para baixo, todas as divisões seriam regionalizadas, com a regionalização aumentando a cada nível. Uma Liga de Clubes seria ideal para administrar cada conjunto de níveis, mas em caso de ausência, a CBF cuidaria até o nível em que mais de um estado é envolvido e as Federações Estaduais e Ligas Amadoras nos níveis dentro de sua jurisdição. Porém, as chancelas serão necessárias para definir para onde cada divisão dá seu acesso. Os campeonatos, por grupo, teriam entre 10 e 22 equipes, conforme logística e presença de clubes.

O lado ruim é que rivais locais poderão ficar anos sem se enfrentar por ficar em divisões diferentes e o caminho para um time chegar à elite nacional com acessos seguidos ficará mais longo. O lado bom é que o sistema evitaria alguns aventureiros e daria mais consistência aos clubes novos, que não precisariam de tanto investimento no começo. Além disso, clubes mais estruturados poderiam ter seus times B ou até C em divisões inferiores, com a devida regulamentação para que não se reforcem com jogadores do time de cima em jogos decisivos (limitar número de jogadores com jogos pelo time principal em um x tempo, por exemplo).

Simulando o caminho de um time curitibano

A divisão mais baixa para quem começa em Curitiba seria a Suburbana B, atualmente equivalendo à Segundona da Suburbana, o Amador da Capital. A divisão não obrigaria a ser profissional.

Logo acima, teria a Suburbana A, equivalente à primeira divisão do Amador da Capital, mas sem os times top, que teriam subido de divisão. Esta também não obrigaria a ser profissional.

A divisão acima poderia ser chamada de Paranaense D Leste. Seria um recorte de como era a Copa Paraná amadora de antigamente, mas só com os times principais das ligas da Capital, Região Metropolitana e Litoral. Também não obrigaria a ser profissional.

Acima desta teria uma divisão que poderia ser chamada de Paranaense C Leste. Ainda não teria obrigatoriedade de profissionalismo e teria uma mescla de times da Terceirona Estadual e tops do Amador do Leste do Estado, incluindo Campos Gerais e Sul do Paraná até União da Vitória.

A divisão que vem a seguir é a mais baixa a ter obrigatoriedade de profissionalismo, seria a Paranaense B. Seria uma mescla de Segundona com Terceirona Paranaense, pois os principais times teriam subido.

Logo acima, a Paranaense A, uma mistura de Segundona Paranaense com o Paranaense atual na composição dos times. É o último degrau antes das divisões nacionais.

A divisão nacional acima é a Série E, com um grupo regionalizado com times do Paraná, parte de Santa Catarina e parte de São Paulo e parte de Mato Grosso do Sul.

Ela dá acesso a um grupo da Série D que aí é uma mescla desta região com uma outra que pega o resto de SC que ficou de fora e o Rio Grande do Sul. Seria um total de oito grupos.

A Série C, por sua vez, teria dois grupos regionais com 20 times cada. No caso do time imaginário de Curitiba, seria a C Chave Sul, que pegaria Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Acima desta, teria teríamos a Série B e a Série A em seus formatos atuais. Num total de 11 níveis para um clube recém-fundado jogar.

E aí? Dúvidas? Sugestões?

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Alguns números da Série B que se encerrou

Existe muitos números além dos que resultaram nestas posições finais

Existem muitos números além dos que resultaram nestas posições finais

 

Espero primeiro que isto vire costume ao fim de competições ou fases de pontos corridos: uma análise breve dos números e comparações com anos anteriores das competições, quando os regulamentos são os mesmos. É importante compreender tem um termo chamado média inglesa, que serve de referência para ver o quanto é equilibrada uma competição de pontos corridos e que será usado em várias oportunidades por aqui. O Ubiratan Leal explica direitinho num post de 2003 no Balípodo. Numa competição com 20 times, a média inglesa é 76 e sempre usarei este número como referência para a Série A e a Série B. Vamos aos números da Série B que teve sua última rodada neste sábado (29) com o título do Joinville e a definição dos últimos promovidos e rebaixados.

Equilíbrio

Com 70 pontos, abaixo da média inglesa, o Joinville foi campeão. O que significa? Significa que o campeonato é equilibrado e que os 76 pontos seria uma meta segura para ser campeão com sobras neste ano.

Seria insuficiente alguma vez na Série B?

A Série B é disputada desde 2006 em pontos corridos. Em quatro oportunidades,  Corinthians (85 pontos em 2008), Portuguesa (81 pontos em 2011), Palmeiras (79 pontos em 2013)  e Goiás (78 pontos em 2012), a marca foi superada. O Vasco (2009) fez exatamente 76 pontos. Logo, em mais da metade das vezes anteriores não seria suficiente.

Não superou o Coritiba

Com 70 pontos, o Joinville foi o segundo campeão da Série B em pontos corridos com menos pontos marcados. O recordista é o Coritiba de 2007, que levantou a taça com 69.

Não daria em 2012

Os 70 pontos do Joinville seriam insuficientes para o acesso em 2012. O Vitória foi o quarto colocado naquela oportunidade com 71 pontos e uma vitória a mais que o São Caetano, que ficou de fora.

Empatador da Gama

O Vasco decepcionou ao ficar apenas em terceiro lugar, longe da briga pelo título, o que seria esperado para o único time do G12 disputante da competição. Boa parte da culpa está no elevado número de empates, 15, liderando esta estatística no campeonato. O Gigante da Colina foi também, junto com a vice-campeã Ponte Preta, o time que menos perdeu, com apenas sete derrotas. O campeão Joinville perdeu dez vezes.

Crucificados pelo Sistema Bruto

Se não fosse a punição por escalação irregular que tirou seis pontos, o América-MG teria subido com sobras. Com a punição, ficou com 61 pontos, um a menos que o quarto colocado Avaí. Sem a punição, o Coelho Mineiro teria 67 pontos e terminaria em terceiro lugar, empurrando o Vasco para quarto e o Avaí para fora do G4.

Os 62 pontos do Avaí…

… não seriam suficientes nos seguintes anos que tiveram as seguintes linhas de corte: 2008 (63), 2009 (65), 2010 (63) e 2012 (71).

Lusa no pódio negativo da história

Os 25 pontos da lanterna Portuguesa foram o terceiro pior desempenho de um time na história da Série B de pontos corridos. Só supera os 24 pontos do CRB de 2008 e os 17 do Duque de Caxias de 2011.

Número mágico

Muitos treinadores consideram 45 pontos quase sempre suficientes para salvar um time do rebaixamento. Neste caso, seriam suficientes, pois o time com mais pontos a ser rebaixado nesta edição foi o América-RN, com 43 pontos e uma vitória a mais que o Icasa, que veio logo abaixo.

Terceira mais baixa

Os 43 pontos do primeiro rebaixado foram a terceira menor marca da história da Série B em pontos corridos. Apenas superior aos 42 pontos de 2012 e os 41 pontos de 2013. Sinal que os últimos anos estiveram entre os mais polarizados na ponta de baixo da tabela.

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Pequeno guia da final da Terceirona Paranaense

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A Terceirona do Paranaense terá seu novo campeão no domingo. Como somos adeptos do Futebol Alternativo, o Futebol Metrópole apresenta um guia (nem tão) conciso para você, que está em Curitiba e região poder ir ao jogo e desfrutar deste espetáculo.

Em primeiro lugar, o jogo é no Janguito Malucelli, no Mossunguê, em Curitiba, ao lado do Parque Barigui. A entrada custa R$ 10 para torcida local e R$ 20 para visitantes. É um retorno a pelo menos 10 anos atrás, quando se praticavam estes preços de maneira contumaz.

Na ida, no Estádio Os Pioneiros, Jonathan e James marcaram para o Pato Branco, dando vantagem de 2 a 0 para o time do Sudoeste. O Pato Branco poderá perder por até um gol de diferença que levanta a taça. Vitória do Andraus por dois gols leva a decisão para os pênaltis. Vitória do Gigante da Pedreira por três ou mais gols leva a taça para Campo Largo.

A Terceirona

Enquanto o Campeonato Paranaense da 1ª Divisão teve sua centésima edição, vencida pelo Londrina, neste ano, a Terceirona tem cartel bem mais modesto: esta é a 15.ª edição, sendo a sétima vez consecutiva (é jogada desde 2008), igualando o recorde do período entre 1997 e 2003. A primeira vez que foi jogada foi em 1991. Só em uma oportunidade não foi a última divisão profissional do Campeonato Paranaense, 2001, quando uma inusitada 4.ª Divisão foi jogada por impressionantes 14 clubes, sendo o Internacional de Campo Largo, conterrâneo do Andraus e atualmente no amadorismo, o campeão.

Galeria de campeões

1991 – Ubiratã

1997- Prudentópolis EC

1998- Nacional de Rolândia

1999- Telêmaco Borba

2000- Renove (Fazenda Rio Grande)

2001- Águia de Mandaguari

2002- Dois Vizinhos

2003- Sport Paraná (Formosa do Oeste)

2008- Serrano Centro-Sul (atual Prudentópolis FC)

2009- Pato Branco

2010- Metropolitano (atual Maringá FC)

2011- Junior Team (Londrina)

2012- Francisco Beltrão

2013- FC Cascavel

A atual competição

A atual edição começou com sete equipes: além de Andraus, que é de Campo Largo, e do Pato Branco, Batel de Guarapuava, Portuguesa Londrinense, Sport Campo Mourão, Cascavel CR e Grecal, este último também de Campo Largo, disputaram o certame. Destes, apenas os dois campolarguenses nunca estiveram na elite estadual. O saldo de gols deixou o Andraus e Pato Branco na decisão, enquanto que o Batel ficou em terceiro. Os três times empataram em pontos e vitórias. Porém, com a desistência do Arapongas na 1.ª Divisão, o Batel também deve ser promovido à Segundona, devendo ocupar o lugar do Foz, que foi promovido pela desistência do time alviverde do Norte.

Os finalistas

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O Andraus é um clube relativamente jovem, com apenas 10 anos de fundação (20/08/2004), sendo que antes existia como escolinha de futebol. A cidade da equipe é Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Com 112 mil habitantes, é conhecida como “A Capital da Louça” por sediar empresas tradicionais do ramo de cerâmica e porcelanas. É próxima à Serrinha do Purunã, fazendo com que tenha diversas pedreiras, originando a alcunha da equipe, o “Gigante da Pedreira”.

Ídolo do Atlético-MG, Diego Tardelli passou pela base do Andraus (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

Ídolo do Atlético-MG, Diego Tardelli passou pela base do Andraus (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

Maior orgulho do Andraus é o atual camisa 9 da seleção, Diego Tardelli, que no Paraná também é conhecido por ser filho do ex-meia Tadeu, multicampeão estadual primeiro pelo Londrina e depois pelo Paraná. Tardelli esteve nas escolinha do Andraus em 2001. O Gigante da Pedreira tem como principal missão revelar jogadores e atualmente tem parceria com o Atlético-PR. Um jogador vindo desta parceria é titular do Furacão: o zagueiro Cléberson.

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O Pato Branco foi fundado em 5/11/1979, portanto tem 35 anos. É resultado de uma fusão entre o Palmeiras e o Internacional, clubes que cederam o verde e o vermelho, respectivamente ao Pato. Pato Branco fica no Sudoeste do Paraná e tem pouco mais de 78 mil habitantes, sendo uma das cidades principais da região. A localidade possui um pólo econômico baseado em eletrônicos e eletrodomésticos. O Tricolor do Sudoeste já esteve por 11 vezes na elite estadual e tem como grande arquirrival o Francisco Beltrão, o Marreco. As duas cidades, inclusive, possuem uma rivalidade acalorada pela liderança da região Sudoeste.

Rogério Ceni, ídolo do São Paulo e pentacampeão com a seleção, nasceu em Pato Branco (Wander Roberto / Vipcomm)

Rogério Ceni, ídolo do São Paulo e pentacampeão com a seleção, nasceu em Pato Branco (Wander Roberto / Vipcomm)

A cidade de Pato Branco tem entre seus orgulhos dois jogadores que estão atualmente no São Paulo. Ambos saíram jovens da cidade e não defenderam o clube. Rogério Ceni atuou no futsal da cidade antes de se mudar para Sinop e lá fazer a transição para o campo. Alexandre Pato foi outra revelação das quadras da cidade, sendo descoberto pelo Internacional durante um torneio realizado em Palmas, cidade próxima.

O estádio

(Site oficial do J. Malucelli Futebol)

(Site oficial do J. Malucelli Futebol)

Palco do jogo de domingo, o Ecoestádio Janguito Malucelli é único. As arquibancadas são de grama, em um barranco e usa estrutura de dormentes de estrada de ferro e antigos postes de madeira. Foi inaugurado em 2007 e pertence ao J. Malucelli. Tem iluminação desde 2013. Seu recorde de público foi o clássico entre Atlético x Paraná, na rodada final da Série B de 2012, quando 6.609 pessoas pagaram ingresso. Naquela oportunidade, o estádio tinha capacidade ampliada por arquibancadas tubulares.

O estádio fica na BR-277, que o separa do Parque Barigui. Desde 2012 há uma passarela no local. Curiosamente, o Andraus tem sede na mesma BR-277, só que em Campo Largo, alguns quilômetros à frente. Logo, é da mesma rua do dono do campo. Curiosamente, uma das rotas de ônibus de viagem entre Curitiba e Pato Branco passa em frente do estádio.

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Chespirito ( *1929 – +2014) tinha forte ligação com o esporte

Roberto Gómes Bolaños, em foto publicada pela filha em maio. Ator e diretor mexicano quase foi jogador de futebol e boxeador

Roberto Gómes Bolaños, em foto publicada pela filha em maio. Ator e diretor mexicano quase foi jogador de futebol e boxeador

Morto nesta sexta-feira (28) aos 85 anos, o ator e diretor mexicano Roberto Gómes Bolaños, o Chespirito, famoso como personagens do calibre de Chaves e Chapolin, tinha forte ligação com o esporte. Torcedor do América da Cidade do México, o maior ícone pop mexicano tentou, sem sucesso, ser jogador de futebol e boxeador. As artes cênicas falaram mais alto e o levaram ao estrelato. Além disso, vários episódios têm referência ao esporte, até no que fala do Dom Quixote que se diz “Atlético” e o Sancho Pança, interpretado pelo Chespirito, diz “por isso que apanha tanto, é Atlético de Madrid”.

Exibido a 30 anos no Brasil pelo SBT, os programas do Chaves e do Chapolin alegraram pelo menos três gerações de brasileiros. Além da produção para a televisão, Chespirito, embrenhou-se pelo cinema e produziu um estrondoso sucesso no México que infelizmente nunca foi lançado no Brasil e que tem relação com o futebol: El Chanfle. Foi também a última aparição da turma do programa com a formação completa, pois Ramón Valdez (Seu Madruga) e Carlos Villagrán (Quico) já haviam deixado a atração televisiva e contracenaram neste filme pela única vez com Raúl Pardilla (Jaiminho), que chegara para compensar as baixas.

Uma curiosidade sobre este filme é que no episódio “Vamos ao cinema”, a versão dublada fala em “Deveríamos ter ido ver o filme do Pelé”. Na verdade, a versão original fala de ver o “filme de El Chanfle”. Temos aqui para vocês, como homenagem a Roberto Gómes Bolaños, uma versão completa legendada de “El Chanfle” postada no Youtube pelo Fórum Chaves. Vida eterna ao Chespirito!

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Recomendo por aí: Atletiba, capas e retorno à vaca

Especial sobre clássicos da Trivela teve capítulo sobre o Atletica (Reprodução/Trivela)

Especial sobre clássicos da Trivela teve capítulo sobre o Atletiba (Reprodução/Trivela)

 

Por nascer e morar em Curitiba, o Atletiba é o clássico brasileiro mais intensamente vivido por mim, inclusive profissionalmente. Para quem não conhece a dinâmica de uma redação, um clássico gera muitos materiais de adianto e especiais. Se for decisão, então, mais ainda, com retrospectos de campanhas de títulos e tal. E de pensar que, pelo resultado da contenda, metade do material nunca vem ao ar. Até rola uma brincadeira de que os jornais poderiam tranquilamente lançar livros sobre matérias que não se concretizaram. Numa semana em que Cruzeiro e Atlético-MG decidiram a Copa do Brasil, a Trivela fez um especial contando de quando arquirrivais chegaram ao auge de maneira simultânea. Um dos capítulos foi sobre a ótima década de 80 da Dupla Atletiba. Confira aqui neste link.

* * *

O site Verminosos por Futebol, lá do Ceará, fez um “Direto do baú” deles. E isso foi com capas do caderno de Esportes do jornal O Povo, quando em seu processo de implantação. Algumas abusam de trocadilhos e brincadeiras com fotos. Confira as 20 manchetes clicando aqui.

* * *

E fechando nosso post, uma importante atualização do caso da vaca que resolveu nascer e o dono do sítio, goleiro de um time amador francês, precisou largar tudo e o time acabou tomando de 20. O Yuri Casari falou com o presidente do clube e revelou o estado de saúde da bovina e do bovininho. 

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Direto do baú: A concentração é desnecessária

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

Atlético-MG venceu a Copa do Brasil. Time deixou de concentrar antes de jogos em Belo Horizonte e colheu ótimos resultados (Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro)

 

Campeão da Copa do Brasil de 2014, o Atlético-MG apresentou o que é uma inovação para os padrões do futebol em casa. Após a chegada do técnico Levir Culpi, o time deixou de concentrar em partidas realizadas em Belo Horizonte. O efeito disso é que não perdeu mais em casa. A última derrota do Galo como mandante foi no dia 4 de maio para o Goiás, por 1 a 0, quando Levir tinha acabado de fechar.

Esta situação permite me resgatar um texto escrito na coluna rotativa de terça-feira na Gazeta do Povo que, em outro contexto (a situação financeira do Paraná Clube, que gerou cancelamento de concentrações como protestos de jogadores) defendo o mudanças no ultrapassado sistema de concentração do futebol brasileiro. A coluna saiu no dia 13 de novembro de 2012. E a versão original está aqui neste link. Leia e abstraia a situação para o contexto atual:

 

 A concentração é desnecessária

Publicado em 13/11/2012 – Leonardo Bonassoli

 

Está certo que foi um protesto dos jogadores pelos atrasos salariais, mas a vitória do Paraná, sem fazer concentração, sobre o Ipatinga por 2 a 0, no último sábado, pode servir para abrir uma interessante discussão no futebol brasileiro sobre o quão dispensável é o regime de concentração dos jogadores antes dos jogos em casa.

Em vários lugares do mundo ela não existe mais. Na Inglaterra, os jogadores fizeram um movimento e aboliram a concentração ainda nos anos 70. Na Alemanha e na França, é costume os jogadores se apresentarem no dia da partida quando se joga em casa. Real Madrid e Barcelona não concentram há alguns anos. Alguns atletas que voltaram a jogar no Brasil após atuar nestes locais, estranham a situação e demoram a se readaptar.

O que falta no futebol brasileiro é entender que o atleta profissional, como todo cidadão adulto, tem de assumir a responsabilidade pelos seus atos antes das partidas. Se por ventura aprontar, deve arcar com as consequências, que são entre ser cortado do time e perder espaço dentro do clube. Pode parecer autoajuda barata, mas a liberdade rima com a responsabilidade e ajudaria a termos jogadores mais cientes de como se alimentar e descansar.

Um dos argumentos usados a favor da concentração é o de se isolar o jogador do mundo externo e integrar a equipe. Em abril deste ano, em uma entrevista ao canal SporTV, o uruguaio Loco Abreu, atualmente no Figueirense, derrubou esta tese com a prática. “Hoje, para mim, a concentração é uma mentira. A tecnologia está dentro da concentração”. Na oportunidade, ele ressaltou que os jogadores conversam pouco sobre o time e sobre futebol, e ficam mais jogando videogame ou em seus laptops ou celulares acessando a internet. Logo, a principal desculpa dos defensores cai.

A questão de economia, diante disso, até fica ofuscada, mas não deve ser desmerecida. O Paraná, por exemplo, não tem hospedagem em seus centros de treinamento para a equipe principal. Com isso, incluindo hotel e alimentação, gasta em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil por partida. Multiplicando isso por 35, que é o número aproximado de jogos em casa da equipe no ano, a conta sobe para entre R$ 175 mil a R$ 210 mil por temporada, o que é uma verba considerável.

E como seria o modelo ideal? A concentração deveria ser para casos específicos. Os clubes deveriam ter uma estrutura para receber os atletas em tratamento que precisem de acompanhamento médico mais próximo para poder atuar. Se algum jogador achar que não tem estrutura para se cuidar em casa, por morar sozinho ou ter algum problema familiar que atrapalhe na programação, ele poderia optar por concentrar. Simples e mais racional.

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Futebol mineiro dominou o Brasil em 2014. Dá bilhão?

Cruzeiro e Atlético-MH decidiram a Copa do Brasil de 2014, mas Mineirão não encheu (Gualter Naves / Vipcomm)

Cruzeiro e Atlético-MG decidiram a Copa do Brasil de 2014, mas Mineirão não encheu (Gualter Naves / Vipcomm)

O futebol mineiro está em alta neste ano e os títulos falam por si. O Cruzeiro foi bicampeão brasileiro, o Atlético-MG faturou a Copa do Brasil. Até o pequeno Tombense faturou um título, a Série D. Dos cinco títulos nacionais (A,B,C,D e Copa do Brasil), três são mineiros. Mas isso é sustentável? Dá bilhão?

Primeiro lugar é importante entender o atual momento destes três clubes. O Galo, que veio de uma Libertadores em 2013, vive financeiramente na berlinda. Caso recente foi a penhora do dinheiro da venda do meia Bernard para o Shakhtar. Segundo infográfico de Marcos Britto do Estadão, a dívida alvinegra é de R$ 438,4 milhões. A médio prazo, pode significar uma precarização do clube, principalmente se essas dívidas forem pagas um dia (enquanto não forem criados padrões financeiros para punir e disciplinar a insolvência dos clubes, os credores demorarão para ver a cor do dinheiro). Se os títulos não inverterem a curva de endividamento do clube, a apaixonada torcida poderá sofrer no futuro, ainda mais com uma estrutura cara. O time atual é uma interessante mescla de experientes e jovens emergentes, alguns saídos da boa base da Cidade do Galo, fruto da boa visão da diretoria de futebol do clube.

O Cruzeiro também tem uma dívida considerável, de quase R$ 200 milhões. O mérito da diretoria consiste num bom relacionamento com empresários e na manutenção de uma base e de um elenco numeroso e qualificado, extremamente útil no Brasileirão. Vários reservas do Cruzeiro seriam titulares na maioria dos outros times da Série A. Alguns garotos estão sendo enxertados na equipe aos poucos, o que pode significar uma queda dos custos da equipe mais para a frente. Os custos anuais da Raposa são parecidos com o do arquirrival e leva como vantagem maior arrecadação de bilheteria. Mesmo assim, o risco é o mesmo.

O Tombense é um caso particular. É um clube antigo, mas arrendado pelo empresário Eduardo Uram para registro de jogadores. As receitas da parceria começaram a financiar o profissionalismo no clube, que teve subida meteórica, sendo de uma cidade de pouco menos de 10 mil habitantes. O tamanho da cidade é um limitador para o sucesso do clube e não sabe-se até onde continuará recebendo investimentos. É um caso para se acompanhar de clube de empresário.

Os percalços destes clubes são os mesmos de todo o futebol brasileiro, o que pode significar uma futura rotatividade de forças, até pelo esgotamento da forma de que são geridos. O modelo não é sustentável. Enquanto os grandes podem ruir financeiramente se não fizerem grandes vendas para derrubar o déficit e não mantiverem a arrecadação em alta. O Tombense é refém de um mecenas, que ajuda o clube, mas, por mais que tenha parceria duradoura (15 anos), pode um dia acabar.

E a sanha por arrecadação provocou um momento triste na decisão da Copa do Brasil: nenhum dos dois jogos teve estádio tomado. Tudo fruto da falta de entendimento e da ganância das diretorias. Olhe a foto ali em cima. Viu o espaço vazio na reta do estádio? Com ingressos na casa das centenas de reais, não é qualquer um que paga, o que resultou em 39.786, bem menos que os 60 mil esperados. Os clubes arrebentaram a corda entre o preço que podem cobrar e o quanto o torcedor quer ou pode pagar, mas isto é algo para um próximo texto, pois vai render muito.

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Blá Blá Blá, luz de vaca e os 18 do Bangu

Capa do Estado de Minas repercutiu até no exterior (Reprodução / Twitter)

Capa do Estado de Minas repercutiu até no exterior (Reprodução / Twitter)

O jornal impresso pode estar em crise, com várias publicações fechando ou enxugando drasticamente seus quadros de jornalistas. Porém, o formato mostra fôlego quando tem criatividade em expor seu conteúdo. Foi o que fez nesta quarta-feira (26) o Estado de Minas ao colocar todas as chamadas com um “Blá Blá Blá” e dar assim destaque para a final desta quarta da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Atlético-MG. A ousadia rendeu repercussão na imprensa do exterior, como foi o caso do Bleacher Report UK, em sua conta do twitter (imagem acima). Boa sorte para eles na cobertura da decisão, pois uma final de Copa do Brasil na própria cidade é algo muito legal e o trabalho árduo costuma compensar.

* * *

Imagina você, dono de um sítio e goleiro de um time amador. Uma vaca resolve entrar em trabalho de parto bem durante o jogo e você tem de ir lá. O Yuri Casari contou essa no Escrevendo o Futebol. Realmente o time foi com os bois para a corda.

* * *

Agora, uma que é da semana passada, mas é um resgate de um momento histórico do Futebol Alternativo. O Bangu, nos anos 90, meteu 18 a 0 num Combinado de Turistas Ingleses Com a Camisa do Manchester United. Como assim? O Andrey Raychtock (tive de abrir umas quinze vezes para escrever direito) contou isso no Esporte Interativo. Boa leitura!

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Futebol Metrópole no ar

Vila Capanema em agosto de 2012 (Foto: Leonardo Bonassoli)

Vila Capanema em agosto de 2012 (Foto: Leonardo Bonassoli)

 

Quarta-feira, 26 de novembro de 2014. O Futebol Metrópole está no ar. Este primeiro post é uma breve declaração de princípios e uma breve apresentação do que virá.

É meu primeiro blog esportivo solo, depois de empreitadas coletivas no Futebol e Fritas, no De Primeira e no Lado B do Futebol, além de colunas no site Papo de Bola e na Trivela. Mas diferente dos desafios anteriores, em que era, primeiro um estudante lá no começo, no fim de 2002, e um jovem profissional, a responsabilidade é maior. Trabalhei neste meio tempo, entre 2010 e 2014 na Gazeta do Povo, principal jornal do Paraná, e adquiri algumas experiências importantes que serão bastante úteis para mim e para os leitores.

Sendo assim, o peso dos 31 anos ensina que não é o blog para conquistar o Mundo, até porque o Mundo e a blogosfera mudaram. O objetivo é ser um espaço esportivo com um tanto de minha marca pessoal e que fale para quem gosta de ler blogs esportivos na internet. Faço isto de maneira bastante simples, sem muitos recursos, como se estivesse recomeçando, mas realmente é um recomeço.

O nome Futebol Metrópole saiu de um brainstorm em um dos fóruns do Conglomerado FA. Com ele, veio um conceito de que a internet é uma grande cidade, a maior cidade do Mundo. E um pouco do esporte desta metrópole aparecerá por aqui. O futebol acabará sendo, como o nome indica, o carro chefe daqui, mas nada impede posts de outras modalidades.

Para facilitar as coisas, os posts foram divididos em oito categorias, podendo estar em mais de uma ao mesmo tempo. Por ser um ambiente virtual, longe do papel, a divisão em “editorias” não é tão rígida e vários conteúdos podem e devem borrar as fronteiras. Este post, por exemplo, está em todas as oito seções, sendo uma espécie de marcador de início do blog como um todo.

A explicação do que cada uma é também está ali na página ENTENDA AS SEÇÕES, até como um facilitador para leitores que possam surgir quando o blog estiver a todo vapor. Estas são as oito seções previstas:

Direto do baú – Textos antigos ou sobre história do esporte.

Futebol Alternativo – O lado B do futebol. Times, competições ou personagens de fora do mainstream da bola.

Metrópole adentro – Tudo que é feito na rua ou no estádio ou ainda reportagens e entrevistas.

Metrópole Poliesportiva – O futebol é o foco principal do blog, mas nada impede que se fale de outros esportes. Para isso, esta seção.

Numeralhas – Posts baseados em números.

Opinião – Pode parecer redundante explicar, mas é tudo que tiver viés opinativo.

Quiz do Bona – Espaço para testar seus conhecimentos sobre esporte.

Recomendo por aí – Alguma coisa legal foi vista em outro lugar da internet? A gente recomenda.

 

Sendo assim, apresentados, que todos sejam bem-vindos!

 

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