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Guia do Paranaense 2016 – O Paraná pelo telefone – Parte IV: 043

O DDD 43 ocupa metade da faixa norte do Paraná. Aquela faixa no caso que vai desde o Norte Pioneiro, região colonizada por volta da segunda metade do século XIX, e da região de Londrina, com cidades mais jovens, no caso da primeira metade do século XX. Tal região começou a se integrar ao resto do estado em meados do século passado e possui uma boa representatividade no futebol paranaense, como o maior campeão do interior e o único estreante na Série A.

Londrina

Campeão de 2014 e de volta à Série B após longa e tenebrosa glaciação, o Londrina tem uma temporada de afirmação nacional. No cenário doméstico, a receita mantém-se a mesma: Claudio Tencati, o Alex Ferguson Pé Vermelho, segue como treinador. A equipe é uma mescla da base do acesso com alguns reforços pontuais como o lateral-esquerdo Alex Ruan e o meia Leandro Oliveira. Estreia dia 31/01, às 17 horas, contra o PSTC no VGD.

PSTC Procopense

Único estreante neste Paranaense, o PSTC Procopense está longe de ser um desconhecido. A equipe nortista surgiu como clube de categorias de base e revelou jogadores que defenderam a seleção brasileira, como Kléberson, o lateral Rafinha, Jadson e Fernandinho. Se a presença da equipe é novidade, terá de lidar também com a dor da perda. O técnico, o ex-volante Reginaldo Vital, seria auxiliado pelo ex-lateral direito Reginaldo Araújo, porém, o auxiliar morreu de infarte no último dia 11, faltando 20 dias para o início da competição. Estreia no dia 31/01, às 17 horas, contra o Londrina em Londrina.

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Portuguesa Londrinense

Nos últimos anos, a Lusinha praticamente virou moradora da Segundona. No passado, chegou a ser visitante contumaz da elite e chegou a fazer uma curiosa parceria com o Cambé, da vizinha cidade. Estreia dia 27/02, às 15h30, contra o Cianorte, no Estádio do Café.

Cambé

Campeão da Terceirona, o Cambé teve uma passagem curiosa na elite quando fez uma parceria justamente com a Portuguesa Londrinense. Por meios próprios, nunca chegou lá. Finalmente voltará a mandar seus jogos no Estádio da Curva. Estreia dia 28/02, às 15h30, contra o Cascavel CR, em Cascavel.

Grêmio Araponguense

Futebol em Arapongas virou algo diferente e rocambolesco. Na tabela da FPF, o clube consta como Apucarana Sports, fusão do Roma Apucarana com o Cincão, mas os jogos são claramente marcados para Arapongas e não Apucarana, que seria a cidade-sede do clube dono da vaga. Ano passado, foi arrendado por empresários de Arapongas, para tentar suprir a falta do Arapongas, o que explica o agendamento para o Estádio dos Pássaros,que pediu licença e desistiu da elite. O Arapongas tentou voltar na Segundona, mas foi barrado pela FPF e, se voltar com o clube original, terá de encarar a Terceirona no segundo semestre. Enquanto isso, o “artificial” Grêmio Araponguense segue na segundona. Folga na primeira rodada e estreia 06/03, às 15h30, contra o Cambé, em Cambé.

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Prognósticos paranaenses para o Brasileirão

O Brasileirão terá suas duas principais divisões começando no próximo fim de semana. Nelas, são três representantes paranaenses. Em mais algumas semanas, é a Série C que tem sua partida e depois, só em julho, a Série D. É um total de seis equipes representadas. Vendo o desempenho das equipes estaduais na Copa do Brasil, o panorama não é muito animador: Londrina, Paraná e Atlético já estão fora. Coritiba está em desvantagem e o Maringá, que não joga competição nacional, se salvou de ser eliminado em casa na segunda fase, mas não deverá oferecer tanta resistência no jogo de volta. Aqui iremos analisar divisão por divisão as equipes paranaenses neste pré-Brasileiro, com alguns prognósticos e diagnósticos:

 

Série A

Atlético

A situação do Atlético merece atenção. O time teve de lutar contra o rebaixamento no Estadual, situação que foi construída tão logo o time principal entrou em campo. Na Copa do Brasil, penou para passar do Remo (Série D) e caiu no gol fora para o Tupi (Série C). Já está no terceiro técnico do ano. Até o momento, mostrou um time sem alma e com sérios problemas especialmente na meia-cancha. Precisa se reforçar e pensar primeiro em fazer 45 pontos para se livrar do rebaixamento.

O atacante Walter é o principal reforço e esperança de gol do Atlético no Brasileirão (Foto: Gustavo Oliveira / Site Oficial do CAP)

O atacante Walter é o principal reforço e esperança de gol do Atlético no Brasileirão (Foto: Gustavo Oliveira / Site Oficial do CAP)

 

Coritiba

O Coxa está com seus defeitos sendo escancarados pela perda do Paranaense e pela atuação desastrosa da ida da 2.ª Fase da Copa do Brasil. Há um homem gol no time: Rafhael Lucas, prata da casa, mas a equipe ainda é dependente dele. O problema é atrás, com a defesa sendo alvo fácil em bolas aéreas e com dificuldades para ter goleiro confiável. Outro problema é o meio pouco criativo, sendo que o candidato à solução é Ruy, prata da casa, mas que há anos longe, foi destaque do Operário e foi contratado. A exemplo do arquirrival, se não resolver estes problemas, é jogar o Brasileirão na base dos 45 pontos para depois ver o que fazer.

Coritiba precisa acertar sua defesa para pensar em algo além de lutar contra a degola. (Foto: Site Oficial do Coritiba)

Coritiba precisa acertar sua defesa e a armação para pensar em algo além de lutar contra a degola. (Foto: Site Oficial do Coritiba)

 

Série B

Paraná

O Paraná está desde 2008 na Série B. Já esteve perto de subir, como em 2013. Na última quarta-feira, o presidente Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, disse que a equipe vai subir este ano com três rodadas de antecedência. Acho que é mais fanfarronice que outra coisa. Porém, se a equipe conseguir se reforçar sem ficar devendo salários, as coisas começam a se aclarar e aí pode-se pensar em algo diferente de se salvar da Série C com três rodadas de antecedência. Antes disso, nada animador ter caído na Copa do Brasil para o modesto Jacuipense. Um reforço pode render esperanças: Danilo Báia, campeão paranaense pelo Operário e eleito craque da competição por este blog.

Paraná contratou Danilo Báia, lateral do Operário, para a Série B (Foto: Site Oficial do Paraná Clube)

Paraná contratou Danilo Báia, lateral do Operário, para a Série B (Foto: Site Oficial do Paraná Clube)

Série C

Londrina

O Londrina terá de cumprir alguns jogos de portões fechados pelo arranca-rabo do jogo das semifinais da Série D no ano passado, o que torna um pouco mais desafiador este retorno à pirâmide nacional. O elenco passa por reformulação. Coisa de sair 12 jogadores e chegar cinco. Fim de um ciclo para o Tubarão, mesmo chegando mais um ano no pódio do Estadual Por isso, é de acreditar que a nova base, que quebra uma sequência de alguns anos, demore para encaixar. Quem continua é Claudio Tencati, o Ferguson Pé Vermelho, técnico há mais tempo num clube brasileiro. O importante é não passar susto na Série C e, se der, buscar classificação e depois o acesso.

Se tem Londrina, tem Claudio Tencati de técnico (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

Se tem Londrina, tem Claudio Tencati de técnico (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

 

Série D

Foz do Iguaçu

O Foz subiu no susto no Paranaense e mordeu uma vaga na Série D com um time bastante cascudo em jogos importantes. O problema do inesperado ter acontecido duas vezes é que o time já teve algumas baixas. Há de se admitir que o Foz é azarão e não se espera tanto dele na Série D. Só que o Foz sabe ser azarão e tirar vantagem disso em uma competição dificílima. O que complica a montagem do elenco é que a competição só começa em julho.

Edson Bastos, que é da cidade, é cotado para seguir no Foz para a Série D, mas nada está definido (Foto: Facebook do Foz)

Edson Bastos, que é da cidade, é cotado para seguir no Foz para a Série D, mas nada está definido (Foto: Facebook do Foz)

 

Operário

Campeão Paranaense, o Operário já sofre baixas importantíssimas, como Danilo Báia (foi para o Paraná), Ruy (foi para o Coritiba) e o goleiro Jhonatan (voltou ao clube de origem, o Joinville). Os titulares que restaram, o atacante Juba tem o contrato mais longo (dezembro). Nem o técnico Itamar Schülle é garantido (contrato acaba e é pretendido pelo Sampaio Corrêa). Se quiser pretender algo de nota também na Série D, repetindo os passos do Londrina, o Fantasma terá de minimizar essas perdas e repôr à altura quem saiu. Para complicar, serão dois longos meses sem jogos, o que dificulta a busca de reforços e manutenção dos atletas atuais. A Série D é dificílima com uma primeira fase regionalizada com adversários que geralmente se equivalem e um mata-mata nacional imprevisível. Vale lembrar que a equipe preferiu não disputar a Taça FPF Sub-23, que vale vaga na Série D de 2016 e que reduz as vagas de Série D do Paranaense de 2016 a apenas uma. Logo, é uma aposta alta e arriscada.

Operário já sofreu baixas para a Série D e poderá ter cara bem diferente no Nacional (Foto: Nicoly França / Assessoria de Imprensa do Operário)

Operário já sofreu baixas para a Série D e terá ter cara bem diferente no Nacional (Foto: Nicoly França / Assessoria de Imprensa do Operário)

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Guia das Cidades – Paranaense 2015 – Londrina

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Hoje no Futebol Metrópole, na sexta parte do Guia das Cidades do Paranaense 2015, Londrina, a maior cidade do interior e terra do Londrina, atual campeão estadual e time que mais evoluiu na última temporada, conseguindo um acesso para a Série C do Brasileirão.

Fundada em 10 de dezembro de 1934, portanto com 80 anos recém-completados, Londrina tem, segundo projeção de 2014 do IBGE, 543.003 habitantes, o que faz que seja a segunda maior cidade do Paraná e quarta maior da Região Sul. Faz parte da expansão do ciclo do café e isso fez ganhar o título de Capital Mundial do Café. A cidade fazia parte de Jataizinho até sua emancipação e o impulso para a colonização foi dado pela Companhia de Terras Norte do Paraná.

O nome Londrina tem alusão a ingleses que trabalharam na colonização e tem como significado “Pequena Londres”.  A cidade passou por dificuldades econômicas, assim como toda região, após a Geada Negra de 1975, que dizimou a cultura cafeeira. Por outro lado, fez se diversificar, sendo polo universitário, de serviços, de indústria, especialmente a agroindústria ligada à soja e a pecuária.

Estádios notáveis

Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD. Ao lado dele não é o Mané Garrincha (parece, né?). É na verdade a Rodoviária de Londrina

Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD. Ao lado dele não é o Mané Garrincha (parece, né?). É na verdade a Rodoviária de Londrina

Antigo Estádio Municipal, foi construído em 1947. Chegou a ter 18 mil pessoas, mas a capacidade atual é de 10 mil pessoas. Desde 1990 passou a ser do Londrina por meio de um contrato de arrendamento. É um estádio extremamente central. Por problemas de infraestrutura , não é usado há alguns anos em jogos profissionais. Com reformas, pode virar alternativa para o Londrina mandar jogos que não tenham expectativa de público acima da capacidade dele.

Estádio Municipal Jacy Scaff (Estádio do Café)

Estádio Municipal Jacy Scaff (Estádio do Café)

Construído às pressas entre 1974 e 1976 para que o Londrina tivesse um estádio para jogar a elite do Campeonato Brasileiro, o Estádio do Café tem capacidade atual para 36 mil torcedores, mas já recebeu mais de 54 mil em seu recorde de público. Feito em formato de ferradura, tem visão para o Centro da cidade. Fica ao lado do Autódromo Ayrton Senna. O primeiro gol do estádio foi de Paraná, que jogou a Copa de 1966 e estava no Londrina. Júnior fez o segundo gol do estádio, sacramentando o empate entre Londrina e Flamengo na inauguração do campo. A seleção brasileira jogou o Pré-Olímpico de 2000 no Estádio do Café.

O time da cidade

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O Londrina foi fundado em 5 de abril de 1956, inspirado pelo Nacional da vizinha Rolândia. Surgido de forma avassaladora no cenário paranaense, ganhou logo a alcunha de Caçula Gigante, vencendo o Paranaense de 1962. Em 1977, surpreendeu o futebol brasileiro, sendo o terceiro colocado no Brasileirão. Como passava nos cinemas na época, o time, por causa da maneira sorrateira que chegava e destroçava os adversários, ganhou o apelido de Tubarão, que se mantém até hoje e virou mascote do clube. O Tubarão ganhou também a Série B de 1980 e mais três Paranaenses, o de 1981, 1992 e 2014. O ano de 2014 foi realmente mágico para o Alviceleste, que conseguiu também o acesso para a Série C ao ser terceiro colocado da Série D. Antes que alguém pergunte, sim, é um ramo de café no escudo do time.

O Londrina aposta na força do conjunto para tentar um inédito bicampeonato paranaense. Sem Joel, vendido ao Cruzeiro após boa passagem por empréstimo ao Coritiba, outro africano estará no ataque, o nigeriano Henry Kanu. No meio, Germano volta de empréstimo ao Coritiba. Seguem como destaques também o zagueiro Dirceu, capitão da equipe, e o meia Celsinho, que era conhecido como o Ronaldinho Gaúcho do Canindé quando surgiu na Portuguesa.

A região de Londrina é um celeiro de grandes jogadores, mas curiosamente nem todos as lendas do clube começaram no LEC. Vindo de Santa Catarina, o goleiro Ado, reserva de Félix na Copa de 70, fez suas primeiras defesas pelo Tubarão. Outro grande ídolo é Gauchinho, maior artilheiro da história do clube, com 217 gols. Carlos Alberto Garcia veio do Vasco e virou ídolo na cidade. O atacante, conhecido como O Bem Amado, foi o craque do time nas boas campanhas do fim dos anos 70 e começo dos 80. Um grande jogador surgido na cidade de terra vermelha foi Élber, que depois fez sucesso no Bayern e teve passagens pela seleção. Ainda se destacam o atacante Aléssio, auxiliar técnico do treinador Cláudio Tencati, o Ferguson Pé Vermelho, e o meia Tadeu, pai do atacante Diego Tardelli.

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Reinícios, continuidades e recomeços (parte 2)

Claudio Tencatti, mas pode chamar de Alex Ferguson do Tubarão (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

Claudio Tencati, mas pode chamar de Alex Ferguson do Tubarão (Foto: Pedro A. Rampazzo / Site Oficial do Londrina)

Continuando com nossa perspectiva do futebol em 2015 com o futebol fora do Trio de Ferro da Capital. O Londrina tornou-se ao mesmo tempo exemplo e time a ser batido em 2015. A fórmula do Londrina, que rendeu em 2014 o Paranaense e o acesso para a Série C, já é aplicada há anos: base forte e garimpagem de alguns reforços emergentes ou de preço em conta. Tudo misturado com a longa manutenção de Claudio Tencati, como técnico, indo para sua quinta temporada seguida no Alviceleste. O Tubarão é um dos clubes que melhor faz a transição profissional-base no estado e tem em seu treinador alguém que já trabalhou com garotos num passado recente. Se no mínimo se mantiver na Série C do Brasileirão, tende a se fortalecer mais ainda, pois garantirá mais temporadas com calendário cheio.

Os desafiantes de fora do Trio de Ferro deste ano parecem estar mais fortes que no ano passado. Pela movimentação de mercado, o J. Malucelli, o Operário, o Rio Branco, o Foz e o estreante FC Cascavel apostaram em alguns nomes com certa grife no futebol do interior e até brasileiro.Por mais que a situação financeira do futebol brasileiro seja periclitante, a diminuição do número de times em uma década (chegamos a ter 16 times na elite estadual, mas agora temos 12) fez com que ficasse mais raro equipes sem competitividade na competição e fez com que subisse a força média das equipes além do trio Coritiba-Atlético-Paraná. Isso refletiu em quase acessos do Operário e do Cianorte e no acesso do Londrina.

Esta temporada é a última com o Paranaense valendo duas vagas para a Série D. A partir deste ano, haverá o Copa FPF, torneio de segundo semestre com equipes sub-23, valendo uma vaga para a partir de 2016. Um efeito colateral interessante serão times investindo mais em jovens e com calendário garantido. Provavelmente, os sub-23 terão contratos mais longos, servindo as clubes não apenas durante o Estadual. É algo que merece ser visto com atenção. Dará certo se os clubes sempre participarem e não esvaziarem a competição, como foram as tentativas anteriores da Copa Paraná.

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